quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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O PIXE
Escreve a parede lagartixa esquiva, “desde a antiguidade recorto os lares”
Esconde-se atrás do microondas – tímida amiga – não obstante o mundo
Encobrir-te com o manto de raios escuros cativantes e trevas espessas,
Pervade a noite as incandescências faiscantes de centelhas-do-escuro
Oh alma ressequida, que se ressente sem pena ou suspeita de mágoa,
O que farás se a palavra extenuada acabar-se em partículas exíguas?
Valha-me Quintana dos quintais esquecidos, (quintal-da-noite)
[todo o frêmito e mistério da vida
Em todo transe, todo estado e todo líquido permeia o insólito,
Sem viúvas nos portais das dúvidas, vela-me a negra mortalha,
Odre velho de hábito roto derramando êxules fontes radiativas
Deus chora suas lágrimas, esvaem-se em exíleas luzes contíguas,
Motejam todas as coisas sob igual berlinda, nem som nem silêncio,
Dos meus pálidos receios se riem os céus cheios de alegria em fuga
O vírus-do-pó reclama expensas aos que a pressa cobra suas divídas,
Dos honorários nem as luzes escapam, e se rendem a naturezas difusas.
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